26 ene 2015
"Sintaxes, sinapses e conversa de bar" por Alison Entrekin
As pessoas sempre me perguntam qual foi o livro mais difícil que traduzi. E, embora nenhum deles tenha sido particularmente fácil, um sempre me vem à cabeça: O filho eterno, do curitibano Cristovão Tezza.
Não achei difícil de ler. Aliás, li num golpe só, deslumbrada com a honestidade do autor ao lidar com um assunto extremamente delicado sem apelar para o sentimentalismo. Tanto que fui eu que sugeri o título The Eternal Son para a editora australiana que acabou comprando os direitos. O livro tinha me fisgado. Mas, por incrível que pareça, não atentei para a dificuldade da tradução. Simplesmente desliguei a tradutora interna, para ser apenas leitora e fã, e me esqueci da gramática…
Quer dizer, havia me deparado com o mais óbvio alguns meses antes, quando traduzi um capítulo para o site Words Without Borders: os tempos verbais. Tezza mistura tempos verbais do passado (pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito) com o presente histórico, o que é bastante comum em português. É um recurso interessante. Permite que o autor conte uma história no passado, mas empregando de vez em quando um tempo verbal que parece aguçar a ação, dando a impressão de que é mais imediata, mais na nossa frente. E, o mais interessante, para mim, é que o leitor brasileiro não estranha nada – todo mundo entende que a história é no passado, e ponto.
Via de regra, não fazemos isso no inglês. Passado é passado e presente é presente. Isto é, por alguma razão que nunca entendi, fazemos isso em alguns documentários históricos, mas jamais por escrito. Creio eu. Para testar minha teoria (adoro desenvolver teorias, mas também gosto de testá-las para ter certeza de que não são apenas coisas da minha cabeça), fiz um rascunho da tradução e mandei para três amigas, número ímpar, para desempatar caso houvesse discórdia, perguntando se alguma coisa no texto as incomodava. Sim, responderam, que salada de tempos verbais é essa? Pronto. Teoria comprovada empiricamente por três amigas.
Fiz mais duas versões, uma completamente no presente e outra no passado, sem misturar. Mandei para as três de novo perguntando qual preferiam. A resposta foi unânime, a versão no passado – achavam que tudo no presente ficava cansativo depois de um tempo. Também achava, portanto me senti justificada em deixar no passado. Que havia ali uma pequena perda, havia, mas fazer o quê? Não sou muito de ficar lamentando o impossível. Bola pra frente.
Mas isso não foi nada. Foi só meses depois, quando comecei a tradução para valer, que me dei conta do outro problema, infinitamente maior e pior: a sintaxe do Tezza. A sintaxe dele é altamente idiossincrática e – por alguma razão que não entendia na época, mas para a qual hoje tenho uma teoria – completamente anti-inglês. Enquanto alguns textos parecem ter nascido para a tradução, outros resistem a qualquer tentativa. As frases do Tezza são longas e cheias de informações. E ele adora um aparte. E um aparte do aparte. E, às vezes – por que não? – um aparte do aparte do aparte. De repente, aquelas frases que eu tinha lido com tanto deleite, quando era apenas leitora e fã, viraram um labirinto em que tropeçava e me perdia. Ficavam estranhas no inglês. Respirei fundo e tentei, ao máximo possível, fazer uma tradução fiel à sintaxe dele – não tão presa ao português que perdesse a naturalidade no inglês, mas preservando as frases compridas, os apartes, o jeito espontâneo de emendar várias idéias numa frase só. E, com certa desconfiança, mandei para a editora.
Em determinado momento o editor me mandou o manuscrito de volta, desabafando: “A maior parte do tempo não sei o que o autor está dizendo. O sentido me escorre pelas mãos.” E foi assim que comecei o longo trabalho de revisão, fazendo o meio de campo entre autor, editor e eu mesma. O Tezza, uma alma sensível, percebeu o que estava acontecendo e se entristeceu. Recebi um email dele pedindo: “Me defenda, por favor!” E era o que eu queria fazer, tanto que tinha procurado preservar a sintaxe dele na primeira versão. Mas eu também entendia o editor, que parecia ter confirmado algo que eu vinha desconfiando ao longo do processo, sem conseguir articular muito bem: alguma coisa importante se perdia nessa tradução tão fiel à sintaxe do original… Mas o quê, exatamente?
Vamos deixar a tradução de lado por alguns instantes. Agora é conversa de bar. Literalmente. Quando eu cheguei ao Brasil, há quase duas décadas, e saía com os amigos, ficava impressionada com a maneira das pessoas conversarem. Não conseguia entender as regras. Lembro de ficar de frente para um casal, numa mesa de bar, os dois falando comigo simultaneamente, contando a mesma história. Ou uma história diferente, não tenho certeza. Um falando sem parar, me olhando nos olhos, como se o outro não estivesse falando ao mesmo tempo e competindo pelo meu olhar a 30 centímetros de distância. E não pareciam se irritar um com o outro. Eu não sabia para onde olhar, quem escutar, em qual história prestar atenção. Acabava olhando de um para o outro que nem uma boba e entendendo lhufas.
Também ficava maravilhada com as conversas em grupo, em que as pessoas pareciam se cortar alegremente sem a menor preocupação com a história que o outro ainda não tinha terminado de contar. E o mais inacreditável, do meu ponto de vista, era que depois que a segunda – ou terceira, ou até quarta – pessoa tinha cortado a conversa, a pessoa que estava falando no começo retomava a sua história e terminava. Eu teria me perdido por completo. Esse caos me fascinava mais que as conversas em si. No meu país, as pessoas esperam a sua vez para falar. Quando uma termina a outra começa, e se alguém atravessar a conversa do outro antes da hora, pede-se muitas desculpas. Aqui no Brasil, perdi conta do número de vezes que fiquei esperando a minha vez, que não chegava nunca. Um dia, fiquei impaciente e resolvi sair cortando as pessoas também, já que, a meu ver, todo mundo cortava todo mundo. Mas logo percebi que não era bem assim. Aquilo que parece tão espontâneo tem todo um timing, e se você não acerta, passa por estúpido. Passei por estúpida. Quando eu cortava alguém, todo mundo parava de falar na mesma hora e ficava me olhando, a gringa mal-educada. Foi só depois de muitos anos de conversa de bar que adquiri esse timing (meus amigos que me corrijam se estiver enganada) e a capacidade de lembrar o que estava falando e voltar a terminar minha história depois de cinco ou dez minutos de conversas paralelas.
Teoria de bar da Alison: vocês, brasileiros, têm mais sinapses na região do cérebro que guarda informações durante conversas. Não digo que nascem com esse dom, mas sem dúvida o adquirem com o passar dos anos, desde pequeninos. E nós, falantes da língua inglesa, por termos outras regras de conduta, não desenvolvemos esta capacidade sináptica.
Estou brincando, mas não muito.
E não é só nas conversas de bar. Acontece na literatura também. Por infinitas questões culturais, a literatura de língua portuguesa tende a ser mais prolixa. As frases são maiores e mais complexas, com mais orações. É claro que existem exceções à regra, mas são exceções. E, por extensão da minha teoria de bar, cheguei à conclusão de que vocês, brasileiros, também têm mais sinapses na região do cérebro que guarda informações do começo de uma frase que vão ganhar complemento lá no pé da página, quando nós, da língua inglesa, já estamos boiando… Não é uma questão de inteligência, mas de prática, de usos e costumes. E a estética das literaturas – o que é considerado bom estilo em determinado país – anda de mão dada com esses usos e costumes.
Voltemos para o Tezza. Em algum momento do processo, subi na corda bamba e procurei achar um meio termo, ainda tentando preservar ao máximo a sintaxe e voz particulares do Tezza, mas fazendo algumas concessões para o leitor de língua inglesa, que simplesmente não tem a bagagem para navegar aquelas frases tão brasileiras. Não fiz 100% do que o editor queria, nem 100% do que o autor queria. Apostei no instinto e comecei a brigar pelo livro. E, no final das contas, acho que consegui recriar uma experiência de leitura parecida, embora, se alguém colocar tradução e original lado a lado, talvez ache que eu tenha facilitado um pouco o texto. Depende do ponto de vista. Tenho cá comigo que as pequenas modificações que fiz foram totalmente justificáveis, para garantir que o leitor da tradução não se perca, que continue lendo, porque o livro merece.
O esforço todo valeu a pena. O livro foi bem recebido pela crítica, o editor ficou contente, Tezza também (e espero que não tenha ficado muito traumatizado), e eu fiquei com uma teoria a mais para minha coleção.
The Eternal Son é publicado pela Scribe Publications na Austrália e no Reino Unido, e pela Tagus Press nos E.U.A. Em 2012, foi finalista no International IMPAC Dublin Literary Award.
Alison Entrekin é tradutora literária australiana radicada no Brasil. Verteu para o inglês Cidade de Deus, do Paulo Lins, O filho eterno, do Cristovão Tezza, Perto do coração selvagem, da Clarice Lispector e Budapeste, do Chico Buarque, entre outros.
31 dic 2014
12 dic 2014
30 sept 2014
22 abr 2014
9 abr 2014
Quando o barato sai caro ou "Mau apetite pra você"!
Não sou totalmente contra o uso de "tradutores automáticos".Desde que seja como uma ferramenta de auxílio à compreensão ou em casos muito pontuais, por profissionais que tenham um bom domínio das línguas de trabalho e pouco tempo!
Mas, o seu uso indiscriminado, especialmente se o resultado final é dirigido a um público específico de estrangeiros que não precisa e nem tem ideia do que determinadas "nuances" do português possam querer significar, é um "desserviço de peso"!
Segundo o Aulete, Priberam e outros dicionários:
Desserviço. s.m.
1 Ação ou resultado de desservir.
2 Serviço nocivo, que causa dano ou prejuízo: O prefeito prestou um desserviço à cidade.
3 Fig. Ação ou atitude de desleal
Não sei se pretendem ganhar clientes, a Copa, desinformar mais as pessoas ou passar uma imagem negativa do país!
http://www.buzzfeed.com/clarissapassos/traducoes-fabulosas-de-cardapios
Então, alguém mais perdeu o apetite (ou a sede!) com apenas estes exemplos!?
Mas, o seu uso indiscriminado, especialmente se o resultado final é dirigido a um público específico de estrangeiros que não precisa e nem tem ideia do que determinadas "nuances" do português possam querer significar, é um "desserviço de peso"!
Segundo o Aulete, Priberam e outros dicionários:
Desserviço. s.m.
1 Ação ou resultado de desservir.
2 Serviço nocivo, que causa dano ou prejuízo: O prefeito prestou um desserviço à cidade.
3 Fig. Ação ou atitude de desleal
Não sei se pretendem ganhar clientes, a Copa, desinformar mais as pessoas ou passar uma imagem negativa do país!
http://www.buzzfeed.com/clarissapassos/traducoes-fabulosas-de-cardapios
Então, alguém mais perdeu o apetite (ou a sede!) com apenas estes exemplos!?
27 feb 2014
Encontro: Tradutores contra o calor em um café de Shopping - 15.2.14
No encontro, organizado pela sempre ativa colega e amiga Iara Regina Brasil, contou com a presença de Leila Kommers, Anthony Presutto, Daniela Reginato da Costa, a professora da pós-graduação em tradução, Maria Alice Capocchi (do Rio de Janeiro) e suas alunas, que lamentavelmente não posso identificar porque não deu para saber o nome de cada uma!
Bom, é claro que eu também estive!
Foi num Shopping da cidade (tínhamos que poder usufruir do ar condicionado poque o calor por estos pagos do Sul tem sido arrasador!) regado a muito café, refrescos gelados, e um bate-papo interessante, cheio de planos e ideias que irão à prática em breve.
Tradutores do Sul unindo-se em torno à Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes)
Bom, é claro que eu também estive!
Foi num Shopping da cidade (tínhamos que poder usufruir do ar condicionado poque o calor por estos pagos do Sul tem sido arrasador!) regado a muito café, refrescos gelados, e um bate-papo interessante, cheio de planos e ideias que irão à prática em breve.
Tradutores do Sul unindo-se em torno à Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes)
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| Leila Kommers e Iara Regina Brasil |
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| Leila Kommers, Iara Regina Brasil, alunas da pós e Lota Moncada |
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| Do lado direito: Antonhy Presutto e Maria Alice Capocchi |
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| Esq. à dir.: M. Alice Capochi, Anthony Presutto, Leila Kommers, Iara R. Brasil |
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| Daniela Reginato da Costa, "cheguei atrasada"... |
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| Limonadas, café (duplo!) e pão de queijo! |
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| Papo sério e interessante! |
La traducción...
"La traducción consiste en producir, en el idioma de llegada, el equivalente natural más próximo al mensaje del idioma de partida, primero en lo pertinente a significado, y en seguida, a estilo".
E.A. NIDA - Principles of translation
22 dic 2013
14 dic 2013
Sobre las innovaciones ortográficas en el español - Artículo de Javier Rodríguez Marcos
Debido a las numerosas preguntas sobre las innovaciones propuestas en la nueva Ortografía de la lengua española (Real Academia Española y Asociación de Academias de la Lengua Española, 2010), he resuelto incluir aquí un artículo del periodista español Javier Rodríguez Marcos en el que se enumeran los cambios más llamativos. El artículo se divide en dos entregas: el abecedario y el acento gráfico o la tilde. Empecemos pues.
El alfabeto o abecedario
La nueva edición de la Ortografía de la Real Academia Española trata de ser, como dice su coordinador, Salvador Gutiérrez Ordóñez, "razonada y exhaustiva pero simple y legible". Y sobre todo "coherente" con los usos de los hablantes y las reglas gramaticales. Por eso el académico insiste en que plantea innovaciones y actualizaciones respecto a la anterior edición, de 1999, pero no es, "en absoluto", revolucionaria. Gutiérrez Ordóñez se resiste incluso a usar la palabra "reforma".
Estas son algunas de las "innovaciones puntuales" destacadas por el propio Gutiérrez Ordóñez.
Letras con varios nombres. Algunas letras de nuestro alfabeto recibían varios nombres: be, be alta o be larga para la b; uve, ve baja o ve corta, para v; uve doble, ve doble o doble ve para w; i griega o ye para la letra y; ceta, ceda, zeta o zeda para z. La nueva Ortografía recomienda un solo nombre para cada letra: be para b; uve para v; doble uve para w; zeta para z; ye para y (en lugar de i griega). Según el coordinador del nuevo texto, el uso mayoritario en español de la i griega es consonántico (rayo, yegua). De ahí su nuevo nombre, mayoritario además en muchos países de América Latina. Por supuesto, la desaparición de la i griega afecta también a la i latina, que pasa a denominarse simplemente i.
Ch y ll ya no son letras del alfabeto. Desde la segunda edición de la ortografía académica, publicada en 1754, se incluían como letras del alfabeto las combinaciones ch y ll. Ya en la Ortografía de 1999 pasaron a considerarse dígrafos, es decir, "signos ortográficos de dos letras", aunque permanecieron en la tabla del alfabeto. La nueva edición los suprime formalmente: “A partir de este momento los dígrafos ch y ll dejan de ser considerados letras del abecedario español […].
El cambio consiste, simplemente, en reducir el alfabeto a sus componentes básicos, ya que los dígrafos no son sino combinaciones de dos letras, ya incluidas de manera individual en el inventario” (2010: 64). Así, pues, las letras del abecedario pasan a ser 27. Naturalmente, esto no significa que desaparezcan de su sistema gráfico y, por lo tanto, seguirán utilizándose como hasta ahora en la escritura de las palabras españolas.
Catar y no Qatar. La q por sí sola (sin el acompañamiento de la u característica del dígrafo qu) no es una grafía tradicional del español para representar el fonema /k/. "En nuestro sistema de escritura la letra q solo representa al fonema /k/ en la combinación qu ante e o i (queso, quiso). Por ello, la escritura con q de algunas palabras (Qatar, quórum) representa una incongruencia con las reglas". De ahí que pase a escribirse ahora Catar y cuórum. ¿Y si alguien prefiere la grafía anterior? "Deberá hacerlo como si se tratase de extranjerismos crudos (quorum, en cursiva y sin tilde)".
Sin embargo, los derivados de antropónimos conservan siempre la k del nombre propio, incluso ante las vocales e, i: Kafka > kafkiano. Por otra parte, no es raro que los derivados de topónimos presenten dos variantes: la que conserva la k del nombre propio y la que sustituye esta por qu ante e, i: Nueva York > neoyorkino o neoyorquino; Pakistán > pakistaní o paquistaní; Pekín > pekinés o pequinés.
JAVIER RODRÍGUEZ MARCOS, “La i griega se llamará ye”, El País, Madrid
El alfabeto o abecedario
La nueva edición de la Ortografía de la Real Academia Española trata de ser, como dice su coordinador, Salvador Gutiérrez Ordóñez, "razonada y exhaustiva pero simple y legible". Y sobre todo "coherente" con los usos de los hablantes y las reglas gramaticales. Por eso el académico insiste en que plantea innovaciones y actualizaciones respecto a la anterior edición, de 1999, pero no es, "en absoluto", revolucionaria. Gutiérrez Ordóñez se resiste incluso a usar la palabra "reforma".
Estas son algunas de las "innovaciones puntuales" destacadas por el propio Gutiérrez Ordóñez.
Letras con varios nombres. Algunas letras de nuestro alfabeto recibían varios nombres: be, be alta o be larga para la b; uve, ve baja o ve corta, para v; uve doble, ve doble o doble ve para w; i griega o ye para la letra y; ceta, ceda, zeta o zeda para z. La nueva Ortografía recomienda un solo nombre para cada letra: be para b; uve para v; doble uve para w; zeta para z; ye para y (en lugar de i griega). Según el coordinador del nuevo texto, el uso mayoritario en español de la i griega es consonántico (rayo, yegua). De ahí su nuevo nombre, mayoritario además en muchos países de América Latina. Por supuesto, la desaparición de la i griega afecta también a la i latina, que pasa a denominarse simplemente i.
Ch y ll ya no son letras del alfabeto. Desde la segunda edición de la ortografía académica, publicada en 1754, se incluían como letras del alfabeto las combinaciones ch y ll. Ya en la Ortografía de 1999 pasaron a considerarse dígrafos, es decir, "signos ortográficos de dos letras", aunque permanecieron en la tabla del alfabeto. La nueva edición los suprime formalmente: “A partir de este momento los dígrafos ch y ll dejan de ser considerados letras del abecedario español […].
El cambio consiste, simplemente, en reducir el alfabeto a sus componentes básicos, ya que los dígrafos no son sino combinaciones de dos letras, ya incluidas de manera individual en el inventario” (2010: 64). Así, pues, las letras del abecedario pasan a ser 27. Naturalmente, esto no significa que desaparezcan de su sistema gráfico y, por lo tanto, seguirán utilizándose como hasta ahora en la escritura de las palabras españolas.
Catar y no Qatar. La q por sí sola (sin el acompañamiento de la u característica del dígrafo qu) no es una grafía tradicional del español para representar el fonema /k/. "En nuestro sistema de escritura la letra q solo representa al fonema /k/ en la combinación qu ante e o i (queso, quiso). Por ello, la escritura con q de algunas palabras (Qatar, quórum) representa una incongruencia con las reglas". De ahí que pase a escribirse ahora Catar y cuórum. ¿Y si alguien prefiere la grafía anterior? "Deberá hacerlo como si se tratase de extranjerismos crudos (quorum, en cursiva y sin tilde)".
Sin embargo, los derivados de antropónimos conservan siempre la k del nombre propio, incluso ante las vocales e, i: Kafka > kafkiano. Por otra parte, no es raro que los derivados de topónimos presenten dos variantes: la que conserva la k del nombre propio y la que sustituye esta por qu ante e, i: Nueva York > neoyorkino o neoyorquino; Pakistán > pakistaní o paquistaní; Pekín > pekinés o pequinés.
JAVIER RODRÍGUEZ MARCOS, “La i griega se llamará ye”, El País, Madrid
13 jul 2013
Algo de la historia del Lunfardo - Jeremías Díaz
Según
ha establecido Luis Soler Cañas, el primer vocabulario lunfardo en nuestro medio, se
publicó el 6 de julio de 1878 en el diario La Prensa, bajo el título El
dialecto de los ladrones. El autor anónimo del mismo - que él reprodujo -
mencionó como fuente de información de la nueva lengua que se incuba en el seno
mismo de Buenos Aires, a un comisario de la Policía de la Capital. Entre las
primeras figura lunfardo = ladrón, con lo que apareció por primera vez escrita
la expresión como sinónimo de delincuente que hurta o roba, más tarde
ampliada a estafador (cuentero), y luego a malviviente en general, pasando
después el nuevo léxico a ser utilizado por el compadrito (individuo del
suburbio porteño provocativo, pendenciero, vanidoso, valentón, de actuar
afectado y vestimenta llamativa -pantalón a la francesa, saco corto y ajustado
ribeteado con trencilla, pañuelo largo anudado al cuello, sombrero de ala ancha
y baja adelante, y botines de taco militar), bonaerense, y más tarde por el bajo
pueblo, para luego avanzar sobre el centro de la ciudad, terminando por ser una
forma coloquial y popular porteña de comunicación, en constante aumento y
desarrollo en todas las clases sociales, a punto de que quienes no lo usan en
su habla, al menos lo comprenden en gran parte.
Así dejó de ser exclusiva jerga
delincuente e irradió al Gran Buenos Aires, a las principales ciudades del
interior del país, y al Uruguay.
Su
extraordinaria difusión en nuestro medio y aún su condición de exportador de
vocablos al resto de América Hispana y Portuguesa, ha dado lugar a que la Real
Academia Española, se viera obligada a registrar referencias a él.
LUNFARDISMO. Palabra o locución propia
del lunfardo.
En cuanto al origen de la voz lunfardo, Villanueva ha precisado que
deriva del dialecto romanesco (de Roma), del vocablo Lombardo que
significa ladrón, corrompido en Lumbardo, y éste en Lunfardo.
El citado autor expresa haber encontrado en el Vocabulario Romanesco de Filippo
Chiappini, después de la publicación anónima, sigue cronológicamente
Benigno B. Lugones, quien en el diario La Nación publicó el 17 de marzo y el 6 de abril de
1879, sus artículos Los Beduinos Urbanos, y Los Caballeros
de la Industria ,
ambos con el subtítulo de Bocetos Policiales, en los que registró
54 voces del que llamó caló de los Ladrones. De ellas 12 habían
sido dadas por el autor anónimo antes citado, con lo que aumentó el léxico de
los lunfardos con 42 nuevos términos. Gobello, nos ha dado ordenadas
alfabéticamente las voces utilizadas por Lugones.
A título de
ejemplo, un poema de Julio Cortázar: Veredas de Buenos Aires en grabación mía. Aquí debajo,
el poema escrito.
Veredas de Buenos Aires - Julio Cortázar
De pibes la llamamos vereda
y a ella le gustó que la quisiéramos,
en su lomo sufrido dibujamos tantas rayuelas.
Después, ya más compadres, taconeando,
dimos vuelta manzana con la barra
silbando fuerte para que la rubia del almacén
saliera a la ventana.
A mi me tocó un día irme lejos,
pero no me olvidé de las veredas,
aquí o allá las siento
como la fiel caricia de mi tierra.
23 mar 2013
Powwow em Porto Alegre, 21.03.2013
Fotos tiradas com o celular sem flash no powwow de prozianos !
Já o encontro, a troca e o papo estiveram ótimos, produtivos e debatidos!
Tentando convencer o colega Luciano Monteiro a encabeçar um movimento aqui nos pampas!
Já o encontro, a troca e o papo estiveram ótimos, produtivos e debatidos!
Tentando convencer o colega Luciano Monteiro a encabeçar um movimento aqui nos pampas!
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| Laís Leite |
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| Leonardo Milani, Leila Kommers |
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| Leonel Rocha |
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| Leila Kommers, Luciano Monteiro, Milano, Valter Mendes |
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| Milani, Leila, perfil de Valter Mendes |
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| Pedro Mallmann e o filet au poivre! |
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| A conversa rolava solta! |
8 mar 2013
8 de março - Dia Internacional da Mulher
Este clip foi uma adesão minha ao coletivo Argentino Mujeres de artes tomar,
impulsado desde 2011 por Las Chicas de Blanco, companhia teatral independente, criada e dirigida pelas minhas amigas e fantásticas mulheres e atrizes, Claudia Clo Quiroga e Sandra Posadino.
O que fiz foi traduzir o trecho do texto de Eduardo Galeano "Curso básico de racismo e machismo" , gravá-lo e montar um clip, isso foi para o 25 de novembro/ 2011, Dia Internacional contra a violência de gênero.
Sendo amanhã 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e sendo a violência de
gênero o grande flagelo que nos aflige e mata, ainda e muito, achei oportuno subi-lo novamente!
5 mar 2013
Curiosidades de la traducción
Coca-cola y su traducción al chino por David Nieto.
Coca-Cola fue inicialmente presentado en China con su
traducción al chino de “Ke-kou-ke-la”, por su sonido similar al original.
Desafortunadamente, la compañía no se percató hasta haber impreso ya miles de anuncios que la
traducción de esta frase significa “muerde el renacuajo de cera” o “yegua rellena de cera”, dependiendo
del dialecto.
Entonces, Coca-Cola repasó 40.000 caracteres del Chino y
encontró, “Ko-kou-ko-le”, que puede ser traducido aproximadamente como
“felicidad en la boca”.
La primera sílaba 可 (ke) significa aprobar o permitir.
La segunda 口
(kou) quiere decir boca. Pero juntas, 可口 (ke kou) significan delicioso,
sabroso, agradable al paladar. Y la última sílaba 乐 (le)
expresa felicidad o alegría.
Así que una genial decisión de traducción y marketing hace
que se asocie esta marca con DELICIOSA
FELICIDAD, o DELICIOSO Y FELIZ.
¡Un éxito
total de traducción!
31 dic 2012
2 nov 2012
28 sept 2012
Los traductores por Antonio Muñoz Molina El País -29.9.2012
Un mismo libro se vuelve otro ligeramente distinto en la imaginación de cada lector. Esa metamorfosis es más acentuada aún en cada traductor.
Un amigo editor y poeta muy querido y monstruosamente sabio me aseguraba hace poco que ha decidido dejar de leer traducciones, porque ha llegado a la convicción de que le compensa más concentrarse en las literaturas de lenguas que ya conoce. Como en su caso éstas incluyen, que yo sepa, el castellano, el catalán, el francés, el alemán, el italiano, el latín y el inglés, tengo la impresión de que mi amigo no es muy representativo.
Los demás, en mayor o menor medida, necesitamos la mediación continua de los traductores, y es un indicio de nuestra creciente penuria intelectual que en estos tiempos de abaratamientos y recortes se note tanto la baja consideración del oficio, la poca recompensa que obtienen los mejores y la prisa o el descuido con que se dejan pasar traducciones mediocres o directamente inaceptables. Curiosamente, también la mala traducción tiene sus admiradores, y su influencia literaria: cada vez más encuentra uno artículos de periódico e incluso páginas de novelas que están escritos como si fueran traducciones inexpertas del inglés, o incluso atroces doblajes de películas. Se ve que por los caminos de la ignorancia y el papanatismo estamos volviendo a los tiempos de mi adolescencia, cuando las estrellas del pop autóctono no tenían idea de inglés pero afectaban un acento americano al cantar en español.
Un amigo editor y poeta me aseguraba que ha decidido dejar de leer traducciones, porque le compensa más concentrarse en las literaturas de lenguas que ya conoce.
Quien más depende del traductor, claro, es el escritor mismo. Eres en otra lengua exactamente lo que tu traductor haga de ti. En la mayor parte de los casos, y salvo ese amigo mío políglota que bien puede saber más lenguas de las que yo creo, o haber aprendido alguna más desde la última vez que hablé con él por teléfono (quizás tenga todavía más capacidad de hablar por teléfono que de aprender idiomas), uno está entregado de pies y manos: un día recibes un libro que debe de ser tuyo porque está tu nombre en la portada, y quizás tu foto en la solapa, pero eso que seguramente se parecerá mucho a lo que tú escribiste hace tiempo es del todo indescifrable, a veces tanto como si estuviera escrito en los caracteres de una antigua lengua extinguida.
Hace falta un acto de fe: si uno sabe cuántas veces ha disfrutado, ha aprendido, se ha emocionado, leyendo traducciones del ruso o del japonés, o del hebreo, o del griego, cabe perfectamente la posibilidad de que ahora suceda el efecto inverso.
Gracias al traductor ocurrirá un prodigio: lo que tú has escrito resonará en la conciencia de alguien en una lengua del todo ajena a ti, en lugares del mundo en los que no vas a estar nunca. Personas que te parecen tan ajenas como habitantes de la Luna resulta que son casi exactamente como tú.
Puedo atestiguar que casi cada día, por ejemplo, Elvira Lindo recibe desde Irán cartas de lectores adolescentes y jóvenes que se han vuelto adictos a las aventuras de Manolito Gafotas en farsi. Lo más singular, sin dejar de serlo, resulta ser inteligible en casi cualquier parte. Algo se pierde siempre hasta en la mejor traducción, pero también se gana algo, o se fortalece algo, quizás el núcleo de universalidad que hay siempre en la literatura.
Durante un par de días, en Ámsterdam, he convivido con un grupo de traductores de mis libros: al holandés, al francés, al alemán. Algunos, de tanto trabajar conmigo durante años, ya eran amigos míos: Philippe Bataillon, Willi Zurbrüggen; a los demás los he ido conociendo estos días: Jacqueline Hulst, Ester van Buuren, Adri Boon, Erik Coenen, Frieda Kleinjan-van Braam, Tineke Hillegers-Zijlmans. Un mismo libro se vuelve otro ligeramente distinto en la imaginación de cada lector: pero esa multiplicación, esa metamorfosis, es más acentuada aún en el caso de cada traductor.
El traductor es el lector máximo, el lector tan completo que acaba escribiendo palabra por palabra el libro que lee. Él o ella es quien detecta los errores y los descuidos que el autor no vio y los editores no corrigieron. Él se ve forzado a medir el peso y el sentido de cada palabra con mucho más escrúpulo que el novelista mismo. Willi Zurbrüggen utilizó un término musical para hablar de su trabajo: lo que más se parece a una traducción, sobre todo entre lenguas tan distintas como el español y el alemán, es la transcripción de una pieza musical.
Escuchaba hablar a estas personas, tan distintas entre sí, tan iguales en su devoción por el trabajo que hacen, y sentía gratitud y algo de remordimiento: una palabra que yo elegí por azar o instinto, una frase a la que dediqué tal vez unos minutos, les han podido causar horas o días de desvelo. Aprender sobre los límites de lo que puede ser traducido lo hace a uno más consciente de que también hay límites a lo que las palabras mismas pueden decir.
Fuente: antoniomuñozmolina.es
22 sept 2012
13 jun 2012
Uma interessante troca na Conferência do OIDP- Termina hoje!
Tive a boa oportunidade de participar como intérprete nesta Conferência, no dia de ontem, e assistir a algumas muito interessantes trocas de experiências, relatos e debates. Destaco particularmente a verdadeira palestra-aula do Prof. Ladislau Dowbor (Puc/ SP) , sua simpatia e senso de humor.
Também a apresentação, em muito bom português, da presidente da Comissão Desafios para a Democracia, da União Europeia,
Anne-Marie Chavanon, e sua extrema disponibilidade.
Ambos palestrantes do Eixo 3 “Desenvolvimento Econômico, Planejamento Territorial e Sustentabilidade”.
Foi também, uma excelente oportunidade de rever alguns colegas de profissão, conhecer vários novos e compartilhar agradáveis momentos de conversa e troca de informação. Além disso, de conhecer vários participantes e palestrantes de outros países, de outros estados do Brasil. Muito enriquecedor!
Agradeço à Adriana Neves que nos integrou à sua equipe e à Karina Vieira com quem já trabalho há mais tempo em eventos deste tipo.
Agradeço à Adriana Neves que nos integrou à sua equipe e à Karina Vieira com quem já trabalho há mais tempo em eventos deste tipo.
Myriam Vigueras e Rafael Andrade / Lota Moncada / Connie Stolting e Rafael Andrade.
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